sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Os desafios de viver o evangelho em nossa sociedade pós moderna

Os desafios de viver o evangelho em nossa sociedade pós moderna



 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1.14)

Ultimamente, um tema que tem martelado muito em minha mente é como ser um cristão relevante na sociedade em que vivemos, como enfrentar os desafios de viver o evangelho de forma genuína na sociedade pós moderna. Nós que somos cristãos, acreditamos que o evangelho é atemporal e eterno. A mensagem do evangelho que foi encarnada em Yeshua é uma mensagem eterna e funcional em toda e qualquer época e geração. Quero desenvolver mais essa reflexão, porque vejo que atualmente a nossa sociedade está caracterizada em um movimento filosófico e social chamado pós modernidade e tal movimento tem gerado crise de identidade e ideologias em nossa sociedade.

Algumas características da nossa sociedade pós moderna são:
·         Sociedade em crise de ideologia;

·         Dúvida e incerteza do futuro;

·         Indivíduo solitário em estado permanente de ansiedade;

·         Liberdade sem precedentes acompanhada de ansiedade;

·         Fixação no presente, por conta da incerteza no futuro;

·         Materialismo e consumismo para bem estar (Hedonismo);

·         Mais valor ao rápido, instantâneo, superficial e líquido (Modernidade Líquida);

·         Relacionamentos baseados nos seus próprios interesses e não em construções de amizade;

·         Compulsiva busca pelo novo, sempre estar na moda, o velho e tradicional é desvalorizado;

·         O que é novo é bom e o que é velho não serve, descartável. O que é muito moderno é melhor ainda;
·         Relações familiares mais superficiais, líquidas (oposto de sólidas);

·         Nas Redes sociais, que é um fenômeno da pós modernidade os relacionamento são superficiais. Ilusão de estarmos participando de tudo, estarmos engajados em tudo. Ao invés de se envolver de fato ficamos com essa conexão superficial e instável;

·         Falação : Todo mundo sabe sobre tudo, todo mundo dá palpite em tudo, todo mundo comenta e fala sobre tudo, porém há pouco comprometimento, pois a exposição é mínima, como característica do mundo virtualizado.

·         Jovens tratam um aos outros como mercadoria. Foto bonitas e comentários são sempre os mais inteligentes para se vender para não correr o risco da exclusão e sim para ser aceito na rede social.

·         Individualismo possessivo : homem não enxerga a relação de suas ações com a sociedade. Isso tem muito a ver com a Cosmovisão, a forma com que enxergam o mundo que vivem e interagem e também como influenciam e são influenciados pelo mundo.

O pós-modernismo é uma filosofia que afirma que não existe nenhuma verdade objetiva ou absoluta. O pós modernismo veio para eliminar a verdade absoluta e tornar tudo relativo de acordo com crenças e desejos de um indivíduo. Com a proliferação das mídias, principalmente as mídias digitais, identifica-se um contexto social regido pela explosão vertiginosa de conteúdos e, como consequência, pela efemeridade, falta de referências fixas e crise da identidade individual, que leva à formação de tribos urbanas – formação de grupos que se unem de forma muitas vezes frágil, em instantes de identificação, sem uma causa específica, mas somente pela interação, pelo prazer de “estar junto”. Causas como homossexualidade, divórcio, aborto, famílias modernas entre outras.

São três os pilares do pós modernismo:

·         Individualismo (só pensa em si)
·         Hedonismo (prazer e vontade própria)
·         Consumismo (não quer enriquecer, mas quer ter uma vida confortável)

Pontos para reflexão em uma perspectiva cristã, baseado nas características de nossa sociedade

1.       Essa geração não é facilmente convencida: O papel da igreja é proclamar, o Espírito Santo é quem convence, como essa geração defende fortemente a verdade relativa. Nosso papel como igreja e sacerdotes deve ser clamar e encarnar a mensagem. A mensagem é a mesma porém a nossa manifestação precisa ser outra.
2.       É uma geração que tem um vazio muito grande na alma, por isso tenta preencher com consumismo e bem estar.
3.       É uma geração que embora se ajunta em grupos, ao mesmo tempo tende a ter um relacionamento raso, pois mesmo no grupo está pensando em si mesmo.

Qual deve ser o maior problema dessa geração?

Na minha opinião o maior problema dessa geração é a falta de referencial, falta de senso de propósito e perspectiva de futuro, ocasionado por uma fraca identidade, que provém de uma ausência de paternidade (orfandade) através do conceito de família enfraquecido.

Qual deve ser nossa resposta?

No evangelho de João 17, Yeshua ora ao Pai como sacerdote e afirma nessa oração que assim como Ele foi inserido em um contexto diferente do Dele, hostil àquilo que Ele acreditava, nós também seríamos inseridos nesse cenário e precisamos andar como Ele andou, entendendo que Ele estaria sempre à direita do Pai intercedendo por nós e que o Espírito Santo estaria conosco todos os dias de nossa jornada.

Paulo escreve aos efésios no capítulo dois sobre o curso desse mundo. Esse cenário que Jesus menciona na oração sacerdotal é o mundo (Aion) que fala de uma mentalidade, uma força, um curso, uma corrente, uma estrutura construída (Babel), Império, diferente do mundo (cosmos) que fala de Universo. Essa corrente que é transgeracional e é manifesta em cada época levando àqueles que desobedecem aos princípios do Reino do filho do amor de Deus a movimentarem ainda mais essa corrente. Nós estamos nesse mundo (Cosmos) mas a nossa mentalidade não pode ser igual a deste mundo (Aion). Estamos no mundo mas não temos essa mentalidade. Nossa mentalidade é do Reino dos céus. O cosmos, terra, céu, mar não são vis e sim o tempo, o século, a mentalidade deles, essa sim é vil.

E como essa cultura é formada?

Através de um cultivo, de uma cultura. Uma formação de uma cultura começa com o trabalho (cultivo) de uma pessoa que influencia uma família e que influencia uma cidade até chegar à esfera de nações. 
Como no fluxo :
Anthropos (indivíduo) à Oiko (casa) à  Koinonos (comunidade) à Polis (cidade) à Ethnos  (Nações)

E o maior dos problemas é que pelo fato de estamos nesse contexto, muitas vezes somos fortemente influenciados e acabamos nos entorpecendo com esses valores. Colocamos essas lentes e a nossa cosmovisão, a forma que eu enxergo as coisas toma como parâmetros os valores de uma cultura que foi gerada por uma geração que obedece ao curso desse mundo.

Em Genesis 2 Deus criou o homem e colocou no jardim para cultivar (abad) e guadar. A palavra cultivar nesse texto tem o mesmo radical de culto que é ‘Abad’. E a palavra cultura é derivada de cultivo. Isso confirma o fato de que uma cultura é gerada por meio de ações, trabalho, serviço que é o cultivo do Jardim e o culto no Jardim. Ou seja Deus colocou Adão no jardim para que ele promovesse e perpertuasse uma cultura de princípios de valores que entrou em conflito no momento em que ele desobedece e começa a disputar com uma nova cultura. Adão precisava permanecer com a cultura e transgeracionar ela. Em todo o tempo nas escrituras vemos Deus Pai sempre preservando essa cultura por meio de sacerdotes, profetas e em geral pessoas que mantinham seu relacionamento com o Pai, ouvindo sempre o coração Dele, a fim de promover e sinalizar essa cultura.

Emfim vem o Cristo Yeshua com uma mensagem vinde após mim e eu darei sentido à sua vida. A minha mensagem vai tirar você desse conflito, te trará sofrimento porém alegria ao entender que você descobriu o motivo da sua existência. Não importa o que acontecer, vinde após mim, ouça o que eu digo e viva como eu vivo e eu vos fareis alguém.

Nesses dias, o Pai que levantar um povo preparado, alguém como João Batista que com o espírito de Elias, ajudará a levantar um povo preparado ao Senhor, preparar um caminho, aparelhar uma arca e gerar uma cultura onde seu Reino seja manifesto.

Ele avançará na presença do Senhor, no mesmo espírito e poder de Elias, com o propósito de fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, deixando um povo preparado para o Senhor”. Lc1.17

Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Rm 8.18-23

Em paz,
Rodrigo